Talent as a Service: modelo abre espaços no mercado para profissionais mais maduros

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Por Juliana Ramalho, CEO da Talento Sênior*

Um modelo tem transformado as ocupações de espaço no universo corporativo. Trata-se do Talent As a Service, ou TaaS, uma alusão ao conceito do Software As a Service (SaaS) da seara tecnológica.

Sobretudo na última década, as empresas têm sido mais impactadas por uma questão que não podem mais ignorar ou deixar em segundo plano em suas estratégias de negócio. Elas precisam encontrar fórmulas para absorver a força de trabalho de um contingente populacional que se mantém hoje produtivo por muito mais tempo, tanto devido ao estilo de vida contemporâneo quanto aos avanços da própria medicina. Se a longevidade média do ser humano se estendeu, nada mais natural que o mesmo aconteça com o seu prazo de disponibilidade para o mercado.

Talent as a Service
Crédito: Shutterstock

Por outro lado, esse mesmo quadro de posições de trabalho a serem ocupadas é cobiçado por novas gerações de candidatos, e estas trazem outras expectativas, outros tipos de pensamento, maneiras diversas de envolvimento e de desenvolvimento. Um dos principais desafios das corporações é combinar os diferentes perfis de profissionais, encontrando formas de extrair o melhor de cada um de acordo com o que têm a oferecer. Nesse aspecto, é crucial estabelecer a harmonia no convívio intergeracional.

Atingir esse ou algum equilíbrio no cenário presente exige um entendimento ainda mais amplo da definição de perfil. Quem tem experiência pode contribuir muito mais efetivamente com o funcionamento geral da engrenagem por meio de intervenções cirúrgicas, pontuais, localizadas. Ou, se preferirem, na criação de soluções para problemas específicos.

Mesmo porque eles se repetem. E o parecer de quem “já viu isso antes” pode fazer a diferença para o bom andamento de um projeto em particular. Esse profissional não precisa estar no dia a dia da empresa para agregar valor em um contexto que requer expertises bem definidas. É a mão do cirurgião que chega na hora de executar determinados movimentos que se tornam mais precisos justamente pela quantidade de vezes que ela já os executou.

Essa é a lógica do TaaS. A empresa contrata os serviços de alguém que vai atender a uma demanda característica a partir do conhecimento que possui sobre o tema. Sobretudo para os profissionais mais maduros, esse tipo de oportunidade abre um leque bastante interessante de atuação, o qual pode ser vantajoso em certos aspectos.

Um deles é o da mudança. Trabalhar por projeto pode ser um caminho para evitar rotinas massacrantes e cansativas em que muitas vezes os desafios escasseiam e a burocracia predomina. Em determinado ponto da trajetória profissional, a dinâmica de se deparar com ambientes, tarefas e pessoas variadas a cada objetivo a ser cumprido tende a ser mais empolgante.

Flexibilidade também é um item a ser considerado. Costuma ser mais fácil gerenciar o próprio tempo, principalmente em um horizonte de médio e longo prazos, quando não se está preso a padrões mais rígidos e predeterminados de cumprimento de horário, os quais ainda costumam pautar o cotidiano de modelos mais tradicionais de vínculo de trabalho.

É disso, aliás, que estamos falando: de novos paradigmas. De encontrar maneiras eficazes de promover a integração entre gerações, de modo que os perfis profissionais se complementem. Que não se considerem concorrentes pelos mesmos espaços, e sim aliados nas buscas pelos mesmos objetivos.
A adesão ao modelo do TaaS já tem sido identificada por pesquisas. De acordo com o estudo “Building the On Demand Workforce”, realizado pela Harvard Business School, 60% dos profissionais C-level estão cada vez mais dispostos a compartilhar talentos com outras empresas.

Por sinal, muitas startups, redutos de profissionais mais jovens, têm enfrentado recentemente problemas que, se para elas são inéditos, para companhias mais tradicionais do mercado não são nenhuma novidade. Após um período de crescimento desenfreado, essas empresas novatas precisam lidar com a estabilização e mesmo o declínio de sua rentabilidade, aprendendo a reestruturar gastos e processos. É nesse momento que um viés analítico mais experiente pode exercer o seu melhor papel, muitas vezes tarimbado pelo enfrentamento de questões semelhantes em grandes empresas.

Assim, o profissional mais maduro constrói o seu valor ao atuar estrategicamente nos momentos decisivos.

Fonte: Olhar Digital